Encruzilhadas femininas
- Cris D'Oroiná

- 9 de mar.
- 2 min de leitura
Neste 08 de março, Dia Internacional da Mulher, esta casa abre suas portas ao debate e dar voz aquelas que sustentam o nosso axé. Não vemos a data como comemorativa, mas, como levante, voz e vez contra um patriarcado misógino dentro dos terreiros de Umbanda.
Historicamente, o patriarcado e a misoginia tentaram silenciar e perverter as vozes das mulheres, mesmo dentro dos espaços sagrados, do chão de terreiro. A figura da Pombagira é o maior exemplo dessa violência simbólica: frequentemente demonizada por visões machistas e eurocêntricas, ela foi reduzida a arquétipos perjorativos de "prostituta" ou "mulher do mal"...
Não na nossa casa, aqui ela é a Deusa mulher, autônoma, liberta e autossuficiente!
Rejeitar o molde "bela, recatada e do lar", abraçar a natureza transgressora de nossas guardiãs, que não se submetem a homem algum é a nossa maior bandeira.
Herança espiritual do feminino Nosso poder é uma concessão herdada da matripotência de Oxum, ela que nos ensina a celebrar a vida como uma força feminina insubordinada, sacralizada no proprio útero e na inteligencia emocional ancestral. O poder feminino na Umbanda é político e espiritual; ela se manifesta desde a cozinha nas mãos da iabassê até o comando das Yalorixás, grandes transmissoras de conhecimento ancestral. No entanto, precisamos estar atentos para que o termo "tradição" não sirva de camuflagem para heranças colonialistas que limitam a atuação feminina no terreiro.
O verdadeiro empoderamento exige que as mulheres ocupem todos os espaços de saber e poder, dentro e fora da religião.
Nossa caminhada é guiada por ancestrais que não se curvaram. Honramos a memória de mulheres como Tia Marcelina, que resistiu à quebra dos terreiros em Alagoas gritando: "pode tirar sangue, mas não tira o saber"
Bebemos da fonte de Beatriz Nascimento, que nos ensinou que nosso corpo é nosso quilombo e que a história da raça negra ainda está por ser escrita por nossas próprias mãos. Uma "consciência umbandista" plena deve ser, necessariamente, antirracista e feminista, combatendo o sexismo institucionalizado e a desvalorização da mulher.
Á todas Oxum abençoe se for do seu merecimento.



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